segunda-feira, 21 de agosto de 2017

7º ANO MEIO RURAL


O BRASIL RURAL

As grandes cidades brasileiras apresentam população numerosa. São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, se somadas, representam aproximadamente 10% do total da população brasileira.

Entretanto, mais de 1/3 da população urbana brasileira vive em pequenas cidades com menos de 50 mil habitantes.

A agropecuária e a extração de produtos naturais são as principais atividades econômicas desenvolvidas no meio rural. Esses municípios geralmente não contam com serviços complexos, principalmente no que se refere à saúde, à educação e ao comércio.

A maior parte da população brasileira é urbana, uma expressiva porção dessa população urbana vive em pequenas cidades, as quais dependem diretamente de atividades realizadas no meio rural para se desenvolverem.

As atividades realizadas no campo são muito importantes do ponto de vista da macroeconomia, pois muitos produtos de origem agropecuária são exportados para diversos países, gerando recursos para a nossa economia.

Esses são alguns exemplos que demonstram a importância da zona rural, espaço fundamental no desenvolvimento de qualquer sociedade, responsável por atender a uma necessidade básica da população: o consumo de alimentos.

A modernização da agricultura brasileira

Até a década de 1960, antes da efetiva industrialização brasileira, a atividade rural era desenvolvida em bases rudimentares.

Contava com grande emprego de mão de obra e baixo uso de tecnologia.

A tração animal era largamente utilizada na época.

Nas pequenas propriedades, o principal objetivo era a produção para a subsistência, ou seja, a maior parte da produção era consumida pelo produtor e sua família, sendo classificada como agricultura familiar.

Apenas uma pequena parte da produção era comercializada.

Assim, com o dinheiro obtido, as famílias adquiriam os produtos industrializados, como tecidos, ferramentas utensílios

As grandes propriedades:

Eram destinadas à produção para a exportação, principalmente nas fazendas de café dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
As fazendas de café tinha produção de forma artesanal, com o emprego de grande número de trabalhadores.

A chegada da indústria:
Transformou  a produção agrícola na sgrandes propriedades:

As propriedades destinadas à produção agrícola comercial monocultura voltada para abastecer os mercados externos, passaram a se desenvolver em ritmo bastante acelerado por conta doa mecanização, uso de máquinas.

Com modernização das grandes propriedades rurais por causa da industria, as propriedades rurais familiares se
tornaram inviáveis,

Os pequenos produtores não conseguiram mais vender seus produtos, pois a agricultura moderna produz, geralmente, em maior quantidade, com melhor qualidade e preços mais baixos.

As pequenas propriedades, principalmente aquelas localizadas em áreas propícias à prática da agricultura mecanizada, foram sendo adquiridas por grandes empresas agrícolas ou grandes fazendeiros.

A redução no número de pequenas propriedades e a substituição do uso de mão de obra por máquinas e tratores levaram a uma grande redução na possibilidade de trabalho e sustento na zona rural.

A mecanização das grandes proppriedades rurais provocou a migração dos trabalhadores do campo para as cidades em um processo chamado êxodo rural.
O processo de industrialização do Brasil favoreceu a formação das empresas agropecuárias, as quais correspondem às grandes propriedades que praticam a monocultura destinada a abastecer os mercados externos e indústrias que fazem uso de alta tecnologia na sua produção.

A agricultura familiar brasileira possuem pequenas propriedades, utilizam mão de obra da própria família em suas  atividades, fato que garante a maior parte da renda para a  familia.

 12,3 milhões de agricultores brasileiros está ligada à agricultura familiar, enquanto 4,2 milhões estão ocupadas na agricultura comercial, produzindo muitos dos alimentos que se encontram em nossas mesas.

ESTRUTURA FUNDIÁRIA NO BRASIL – COMO ESTÁ ORGANIZADAS AS PROPRIEDADES RURAIS NO BRASIL


A terra é um bem natural que deve cumprir a sua função social.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, essa função é alcançada quando respeita os seguintes requisitos:

Aproveitamento racional e adequado;

Utilização dos recursos naturais disponíveis e preservação do ambiente;

Relações de trabalho regulamentadas;

Favorecimento do bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.

Dessa forma, a terra não pode ser tratada apenas como um bem, uma propriedade privada, mas como importante meio de produção que deve garantir a sobrevivência daqueles que dela necessitam, cumprindo sua função social.

Entretanto, em nosso país, desde o processo de colonização desenvolvido pelos portugueses, ocorreu o incentivo da concentração de terras nas mãos de poucos proprietários.

Um exemplo disso são as Capitanias Hereditárias, formadas por grandes porções de terra destinadas a um só proprietário. 

A partir da década de 1960, a modernização brasileira levou a uma drástica redução das áreas ocupadas pela agricultura familiar e ao aumento considerável das áreas de latifúndio.

Algumas dessas áreas eram grandes propriedades, geralmente improdutivas, que não eram destinadas à produção de alimentos, geração de trabalho e renda, mas usadas para a especulação imobiliária.

As terras passaram a ser cada vez mais valorizadas, principalmente aquelas que eram mais propícias à mecanização.

Em alguns casos, os pequenos proprietários venderam as suas terras e se dirigiram para as cidades.

Em outros, aconteceu um processo chamado de grilagem: falsos documentos de propriedade foram apresentados aos moradores, expulsando-os de suas terras.

A maioria dos pequenos produtores brasileiros do século passado não possuía documentação da terra, pois ela era herdada de seus antepassados, que sempre tiveram a posse e o direito de utilizá-la.

Com isso, pessoas poderosas conseguiam documentos de registro das áreas, geralmente falsos, e alegavam serem proprietários legítimos, expulsando os antigos moradores sem o reconhecimento da posse que a família detinha há várias gerações.

Em virtude dessa situação, muitas famílias foram expulsas das terras em que viviam e também tomaram o rumo das cidades que estavam em acelerado processo de desenvolvimento econômico.

Para entendermos a distribuição das terras cultiváveis no Brasil, devemos estudar a sua estrutura fundiária, que representa a distribuição das terras, quanto ao seu tamanho, entre os diferentes tipos de propriedades.

Analisando os gráficos, podemos perceber que a maior quantidade de propriedades rurais no Brasil é pequena (até 200 ha). Apenas 1% dos proprietários possuem áreas maiores que 1000 ha.

Contudo, tais proprietários representam 45% do total da área ocupada pelos estabelecimentos rurais no país.

Essa concentração é um dos fatores que levou inúmeros produtores rurais que não possuíam áreas para plantar a migrarem para a zona urbana durante as décadas de 1960 e 1970.

A falta de planejamento governamental e a crise econômica que se estendeu pelas  décadas de 1980 e 1990 dificultaram a aceleração da produção e a criação de novos postos de trabalho.

OS MOVIMENTOS SOCIAIS PELA TERRA

Os bolsões de miséria e pobreza que se formaram nas grandes cidades brasileiras a partir do êxodo rural se tornaram áreas propícias para o surgimento de movimentos sociais que tinham como objetivo promover a justiça social e fazer com que a terra cumprisse sua função social.
 
Um dos principais objetivos desses movimentos sociais de luta pela terra é a reforma agrária,

A REFORMA AGRÁRIA TEM COMO OBJETIVO:

Reorganização da estrutura fundiária, com o objetivo de redistribuir as terras de maneira mais justa, promovendo a desapropriação dos latifúndios improdutivos para criar assentamentos de pequenos produtores.

Durante o final do século passado, foram implementados alguns projetos de reforma agrária, sendo a maioria em terras devolutas, que pertencem à União.

Grande parte desses projetos não prosperou, pois as terras destinadas à reforma agrária geralmente se localizavam em áreas distantes dos centros urbanos consumidores, sem infraestrutura de transporte e comunicação, o que dificultava o escoamento e a comercialização da produção.

 Os agricultores recebiam apenas a documentação da terra e quase nenhum apoio técnico e financeiro, fundamental para que os assentamentos fossem competitivos no mercado.

Às enormes dificuldades enfrentadas agricultores beneficiados pela reforma agrária, fez com que grande de suas  propriedades não fossem viávéis, sendo vendida a grandes produtores, repetindo o processo e levando os pequenos proprietários a voltarem para as cidades.

A reforma agrária pode ser um ótimo caminho para diminuir a tensão social existente nos grandes centros urbanos, mas, para isso, ela precisa ser realizada de forma organizada.

 O Estado tem um papel fundamental no planejamento e no apoio a reforma agrária

O Estado deve financiar e dar consultoria técnica, para que as pessoas assentadas possam obter o seu sustento dignamente, ao mesmo tempo que contribuem com a produção de alimentos e de matérias-primas.

Nosso país possui dimensões continentais e muitas áreas que podem ser usadas para a prática agrícola, mas o planejamento deve ser ordenado para que rendam frutos no futuro e promovam desenvolvimento socioambiental

A partir da década de 1980, com a abertura política, os movimentos sociais rurais cresceram muito em nosso país.

Surgiu o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), que utiliza, entre as suas práticas, a ocupação de terras e de propriedades, além de passeatas e manifestações como forma de pressionar os governos para a realização da reforma agrária.

A luta entre os movimentos sociais pela terra e os grandes proprietários rurais deixou um triste saldo de mortes.

Só entre os anos de 1990 e 2004, 685 pessoas foram mortas em conflitos pela posse da terra em todo o Brasil.

Por isso, o Estado tem um papel muito importante na redução dos conflitos pela posse da terra em nosso país.

Segundo a Constituição, os imóveis rurais que não estejam cumprindo sua função social são passíveis de serem destinados à reforma agrária.

As grandes áreas legais produtivas que cumprem as legislações trabalhistas e ambientais devem ser respeitadas, pois são fundamentais para o desenvolvimento econômico de nosso país.

A IMPORTÂNCIA BRASILEIRA NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS

Um dos maiores problemas que a população mundial poderá enfrentar nos próximos anos é a escassez de alimentos, gerada principalmente por questões de ordem natural, como secas prolongadas ou chuvas muito extensas, bem como por fatores econômicos ligados às condições de acesso e de distribuição.

Alimentar os povos do mundo é um grande desafio, e o Brasil merece especial atenção no cenário internacional, pois dispomos de grandes áreas propícias para a prática agrícola, mão de obra suficiente e condições ambientais
satisfatórias.
No ano de 2008, o Brasil assumiu o posto de terceiro maior produtor de alimentos do mundo, ficando  atrás apenas dos Estados Unidos, maior produtor mundial, e da União Europeia.

Entre os fatores que contribuíram para o crescimento da produção agrícola brasileira e das suas exportações, está a diversidade de produtos, pois as características naturais do território brasileiro possibilitam a produção de uma grande variedade de culturas.

Soma-se a isso o aumento da demanda nos países asiáticos, principalmente a China, e o aumento da produtividade das lavouras, com o uso intenso de tecnologias desenvolvidas por pesquisadores brasileiros e que consideram as particularidades do nosso país.

Um fator que impede que o Brasil seja o maior exportador de produtos agropecuários do mundo  é o elevado rotecionismo dado pelos governos de países desenvolvidos aos seus produtores, como ocorre nos Estados Unidos e na França.

Os subsídios são incentivos dados tanto em forma de capital como em facilidade de financiamento com juros abaixo dos praticados pelo mercado e com grandes prazos de pagamento.

Os governos auxiliam os produtores rurais de seus países a produzirem a um custo mais baixo, tornando seus produtos mais competitivos.

A prática dos subsídios muitas vezes é condenada – principalmente por países em desenvolvimento, sob a acusação de serem ações ilegais de competição no mercado internacional.

Outro fator que pode contribuir para o avanço da agricultura brasileira e promover a fixação das famílias no setor agrícola em pequenas propriedades está associado ao aumento no consumo de alimentos produzidos com respeito às questões ambientais. 

a população atualmente está se conscientizando em relação à necessidade de preservação da saúde e do ambiente.

É grande a parcela da população que dispõe-se a pagar mais pelo alimento produzido com menor impacto ao ambiente, que é mais saudável.

Essa prática de cultivo é chamada de agricultura orgânica e, em sua maior parte, é praticada em pequenas propriedades que se utilizam de maior mão de obra, pois a redução no uso de defensivos agrícolas, por exemplo, exige um cuidado manual, artesanal.







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9º ANO CAPITULO 11